you only live twice..

quarta-feira, janeiro 14, 2004

já tá acabando. férias, mamata, folga, janeiro, tudo isso já está indo pelo ralo e eu nem estou sentindo. livros do colégio? já encapei todos, com muito, muito gosto e capricho, desfrutando de cada bolha formada no papel contact que surgia. mede o papel contact, corta o papel contact, separa o plástico do papel, cola o plástico grudento na capa do livro, passa a régua, gruda as bordas na parte de dentro da capa, aí repete todo o procedimento com a outra parte, guarda o que sobrou do plástico, e lá está meu livro encapado todo cheio de microbolhas impossíveis de serem tiradas, com etiqueta de identificação informando meu nome e sala. caso eu perca o livro, é para aquela pessoa (cujo nome está na etiqueta) que o livro não deve ser entregue. e o papel contact é uma das invenções mais úteis que já existiram.
durex e plástico transparente (no colégio canarinho, onde eu estudei até a quarta série, era plástico amarelo. e eu aguentei essa piadinha sem graça de plástico-amarelo-na lista-de-material-pra-combinar-com-o-uniforme-amarelo-e-meias-amarelas por mais de cinco anos. eles gostavam de maltratar as crianças, viu) eram um abuso de tempo e de paciência. ter que lidar com a bosta do durex que gruda em qualquer superfície, menos onde deve ser grudado, e conseguir cortar direito a porra do plastico levava, no mínimo, meia hora. o pior de tudo era quando, depois de todo o sofrimento de encapar com esse plástico maldito, eu via a etiqueta de identificação em cima da mesa. a etiqueta deveria estar no livro, protegida pelo plástico. e eu olhando pra etiqueta, com raiva, de saco cheio, puta da vida, com cara de bunda (onde está a novidade?), derrotada, cansada e humilhada (por um plástico, vale a pena lembrar), com vontade de chorar (sete anos na cara e eu já carregava a responsabilidade de encapar livros, ou pelo menos ajudar a mamãe a fazê-lo. do mesmo jeito, isso era um dever muito importante para uma criança de sete anos e nem meio metro de altura). ali, etiqueta, era pra você estar ali, e não aqui. e nada de colar etiqueta em cima do plástico; fica feio pra porra e a etiqueta vai ficando suja com o tempo. é isso aí, a estética ultrapassando as barreiras da praticidade. tempos difíceis aqueles.
mas graças a deus surgiu o papel contact. e minha vida, desde então, nunca mais foi a mesma.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial